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O que é Tesouro Direto e como funciona?

Entenda o que é o Tesouro Direto, como investir, quais são os títulos disponíveis e se vale a pena para o seu perfil.

bluemont··5 min read

O Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite a qualquer pessoa física comprar títulos públicos pela internet. Em termos simples: você empresta dinheiro para o governo brasileiro e, em troca, recebe esse dinheiro de volta com juros após um período determinado.

Criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 (antiga BM&FBovespa), o programa democratizou o acesso a investimentos que antes eram restritos a grandes investidores institucionais. Hoje, com menos de R$ 30, qualquer pessoa pode começar a investir.

Por que o governo paga juros por esse dinheiro?

O governo precisa de recursos para financiar gastos públicos — saúde, educação, infraestrutura, pagamento de servidores. Quando a arrecadação de impostos não é suficiente para cobrir todas as despesas, o governo capta dinheiro no mercado emitindo títulos.

Você compra o título, o governo usa o dinheiro, e no vencimento devolve o valor investido mais os juros acordados. É um contrato simples e bem regulamentado.

Quais são os principais títulos do Tesouro Direto?

Existem três categorias principais, cada uma com características diferentes:

Tesouro Selic (LFT)

O título mais conservador e líquido. Rende de acordo com a taxa Selic — a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Banco Central.

Quando faz sentido: para reserva de emergência ou para quem não sabe quando vai precisar do dinheiro. Não sofre marcação a mercado relevante, ou seja, você pode resgatar antes do vencimento sem risco de perder dinheiro.

Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F)

A taxa de retorno é definida no momento da compra. Se você compra um título com rendimento de 12% ao ano, sabe exatamente quanto vai receber no vencimento.

Quando faz sentido: quando você acredita que a taxa Selic vai cair, ou quando quer saber exatamente quanto vai ganhar. O risco: se precisar vender antes do vencimento, pode perder dinheiro por causa da marcação a mercado.

Tesouro IPCA+ (NTN-B e NTN-B Principal)

Rende a inflação (IPCA) mais uma taxa prefixada. Por exemplo: IPCA + 6% ao ano. Isso significa que seu dinheiro sempre vai crescer acima da inflação — seu poder de compra é preservado.

Quando faz sentido: para objetivos de longo prazo, como aposentadoria. É o preferido de quem pensa em horizontes de 10, 20 ou 30 anos.

Como funciona na prática?

O processo é simples:

  1. Abra conta em uma corretora — qualquer corretora de valores habilitada, incluindo bancos. Muitas operam sem taxa de custódia.
  2. Acesse o site do Tesouro Direto — ou invista direto pelo aplicativo da corretora.
  3. Escolha o título — com base no prazo e objetivo.
  4. Invista a partir de R$ 30 — o valor mínimo é 1% de um título, e os títulos custam em torno de R$ 1.000 a R$ 5.000.
  5. Aguarde o vencimento — ou resgate antes se necessário (exceto em situações de mercado desfavorável para prefixados e IPCA+).

Quanto rende o Tesouro Direto?

Depende do título escolhido e do momento econômico. Como referência:

  • Tesouro Selic: acompanha a Selic, que historicamente fica entre 6% e 14% ao ano dependendo do ciclo econômico.
  • Tesouro Prefixado: varia conforme o mercado, mas costuma oferecer taxas entre 10% e 15% ao ano em períodos de juros mais altos.
  • Tesouro IPCA+: oferece IPCA mais um spread que geralmente fica entre 5% e 7% ao ano.

Quais são os custos?

Dois custos principais:

Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor investido. É cobrada semestralmente e incide sobre todos os títulos. Existe isenção para patrimônios abaixo de R$ 10.000 no Tesouro Selic.

Imposto de Renda: segue a tabela regressiva:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

O IR incide apenas sobre o lucro, é retido na fonte e só é pago no resgate ou vencimento.

Tesouro Direto é seguro?

Sim — é considerado o investimento mais seguro do Brasil. O risco é o risco soberano, ou seja, o risco de o governo brasileiro não honrar sua dívida. Isso é teoricamente possível, mas na prática é o risco mais baixo disponível em qualquer economia.

Para efeito de comparação: os títulos públicos americanos (Treasuries) são considerados o padrão global de segurança, e o Tesouro Direto é o equivalente brasileiro.

Vale a pena investir no Tesouro Direto?

Para a maioria das pessoas, sim. É uma boa opção para:

  • Reserva de emergência (Tesouro Selic)
  • Objetivos de médio prazo como trocar de carro ou dar entrada em um imóvel (Tesouro Prefixado)
  • Aposentadoria e objetivos de longo prazo (Tesouro IPCA+)

Não é a opção com o maior potencial de retorno — renda variável e alguns fundos podem render mais ao longo do tempo. Mas para quem está começando ou quer segurança e previsibilidade, o Tesouro Direto é um excelente ponto de partida.


Este conteúdo é educacional e não constitui recomendação de investimento. Cada perfil tem características únicas — fale com seu assessor para entender qual a melhor estratégia para você.

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